quinta-feira, 26 de março de 2026

Minha Tempestade Particular - Capitulo 1

 Tempestade, segundo o Google, significa: agitação atmosférica violenta, muitas vezes acompanhada de chuva, granizo, vento, raios e trovões. Um verdadeiro temporal.

Mas, na vida real, o nome dele é Chad Bennett.

O cara mais insuportável que eu conheço na face da Terra. O ego dele deve ser maior que o sol — e, sinceramente, talvez seja. Mas os cabelos pretos e cacheados, os olhos cor de mel e o corpo esculpido por um deus grego como Ares ajudam bastante a explicar por que ele é a sensação da escola… e de qualquer lugar por onde passa.

Morar em um internato no ensino médio é ótimo. Eu amo a rotina certinha de todo dia, as escapadas à noite e até algumas aulas à tarde. Mas conviver com Chad? Isso, definitivamente, é uma chatice.

Nós nos conhecemos quando nossos pais viraram sócios. Nossas mães construíram um império de design de interiores, e nossos pais trabalham com consultorias. Ou seja, ver Chad quase todos os dias — inclusive em datas comemorativas — virou regra.

Eu tive uma quedinha por ele desde o primeiro momento em que o vi.

Mas isso mudou no meu aniversário de quinze anos, quando ele beijou minha inimiga do clube de golfe que nossos pais frequentavam. Desde então, comecei a nutrir — e alimentar — um ódio considerável por ele.

E aqui estamos nós, terminando o ensino médio na mesma escola. Como é um internato, inevitavelmente nos esbarramos o tempo todo. Na maior parte das vezes, eu consigo ignorar a existência dele… mas o fato de a minha colega de quarto ficar com o melhor amigo dele torna tudo um pouco mais difícil.

— E se a gente fosse no The Pit hoje à noite? — Aria pergunta, animada, assim que se senta na minha frente.

— De novo? A gente foi lá ontem.

— Ontem a gente foi jantar. Hoje é pra ver os meninos jogarem.

Alguns dias da semana, o The Pit organiza campeonatos de jogos eletrônicos para incentivar os jovens a saírem das telas. Sim, eles usam telas pra tirar os jovens das telas. Quando apontei o óbvio para Margo, a dona do lugar, ela disse que eu estava errada — que aquilo juntava a galera.

E, até que, vai… é legal ver o pessoal jogando — e perdendo. Na maioria das vezes, eles apostam shots de tequila ou encontros com garotas. Mas todo o dinheiro arrecadado vai para uma creche da cidade, então acaba valendo a pena.

— Vamos, por favor! Ei, eu tô falando com você. — Ela passa a mão na frente do meu rosto. — Prometo que vai ser legal.

— Legal vai ser te ver se agarrando com o Connor enquanto o Toby finge que sabe cantar e monopoliza o karaokê até alguém subornar ele com dois shots de tequila pra tirar ele do microfone?

Ela me encara de um jeito tão engraçado que eu quase rio. Ela sabe que eu tenho razão.

— Talvez, se você fosse pra lá com a intenção de arrumar alguém, a voz de taquara do Toby nem te incomodasse… — ela diz, sorrindo e batendo os cílios.

— Eu prefiro ouvir o Toby.

— Amiga, você precisa superar isso. Já se passaram meses. Você precisa pegar alguém de novo.

— Tá falando do quê?

— Do Miles. Eu sei que você ficou chateada porque ele contou pra todo mundo que vocês dois…

— Mas nós não fizemos nada — interrompo, já irritada com o rumo da conversa.

Miles é o tipo de cara que adora dar festas — e o fato de ser filho do diretor provavelmente ajuda ele a sair impune de tudo. Ele organizou uma festa no porão do colégio e, depois que caímos juntos no jogo dos sete minutos no paraíso, eu me recusei a beijá-lo. Ele já tinha começado com mão boba, e eu… bem, eu chutei ele naquele lugar.

No dia seguinte, ele espalhou pra todo mundo que a gente tinha transado.

Fiquei falada por um bom tempo. Mas, depois que Chad e Piper foram pegos se agarrando no banheiro dos professores, acabei caindo no esquecimento.

E, sim, a aberração da garota que eu detestava continuou na minha vida da adolescência até agora. Um pacote completo de irritação. Às vezes, eu realmente me pergunto o que fiz pra merecer isso.

— Não sei por quê… ele é tão gato… — Aria suspira, desviando completamente do assunto. — Mas enfim, que horas a gente sai?

Esses momentos em que Aria simplesmente ignora a minha opinião e transforma tudo em algo sobre ela me fazem pensar em mil maneiras de subornar o diretor pra trocar de quarto.

Mas sei que isso acabaria indo parar no conselho de alunos… então desisto.

Não vale a pena.